Buraco do Pai Popin Reloaded

domingo, maio 21, 2006

Passa amanhã!

Meus dias são todos gris. Isso mesmo. Nada de cinza ou preto e branco. São gris porque ninguém sabe ao certo o que é gris - senhor Houaiss, "cor tirante a cinza" não explica nada! São gris porque sou metido à besta tal qual cantor de MPB e essa matiz se coaduna melhor ao ar pseudo-blasé que pretendo fazer parecer às pessoas.

Não sei o que quero da vida e a vida não sabe o que quer de mim. Empate. Prorrogação de quinze por quinze sem descanso e sem gol de ouro - os velhinhos da International Board, entre uma golada e outra de um bom doze anos, proibiram. A persistir o empate, decide-se na marca do pênalti, mas sinceramente não ligo se for decidir na moeda. Neste caso, vou de coroa.

Não me importa o que acontece agora, tampouco o que vai acontecer daqui a cinco minutos. Não me desperta o interesse nem aquilo que estarei fazendo em três anos. Alguns falam que oportunidades são como cavalos que passam celados. Temos que agarrar as rédeas. Às favas com esses apóstolos do "desenvolvimento humano"! Desconhecem que o puro prazer está em acompanhar o páreo do camarote, de preferência com um bom trago no copo e um belo par de pernas ao lado.

Se por ventura vier a dar com a cara na parede, tome seu tempo. Não corra a acudir! Deixe-me praguejar em paz. Não lance em meu fogaréu de ira o querosene de " Tá doendo? Respira fundo! Pensa num lugar tranqüilo, bonito". Pro inferno com você e seu lugar bonito de comercial de detergente!

E se fez o silêncio...

Por que não escrevo mais nada? Porque não há nada mais a ser dito... Depois disso, tudo que coloque no papel não passará de palavras lançadas à queda livre de um penhasco. Ele roubou-me tudo, deixou-me oco. Vasculhou minhas entranhas com cada uma de suas estrófes e trouxe à luz tudo aquilo que algum dia quis dizer. A partir de agora, o que tente juntar sob a forma de um texto está condenado à infâmia do plágio. Eu o odeio por isso... Mas por outro lado, fico agradecido. Tirou-me um fardo das costas, poupou-me sofrimento e talvez alguns bons anos de terapia, pois, como dizia um escritor americano - Gene Fowler -, "escrever é fácil, basta que você se sente e fique olhando para o papel em branco até que o sangue comece a porejar da sua testa".

Segue abaixo a razão de todas as minhas agruras e a fonte de meu alívio... Tabacaria, Álvaro de Campos.