Buraco do Pai Popin Reloaded

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Da Série "Meu ódio será tua herança!"


Está aí em cima um dos formadores de meu carácter. Um dos responsáveis pela pessoa que sou hoje e que serei amanhã (os outros são um TL ano 70 e uma Fiat 147 azul, a caixinha de fósforo!). É isto mesmo, meus seis leitores! Um Corcel II! Não este da foto, é claro, um mais novinho até - acho que oitenta e poucos -, cinza-lata, a álcool. Momentos inesquecíveis passei a bordo deste bólido. Idas ao garboso Country Club Pontal, banhos de "cachoeira" - a bem da verdade um cano de pvc que ficava alto à beça e pingava água gelada - , tobogan em uma ladeira no caminho de volta... Saudades do Corcel II, maiores do piloto...

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

"Ô, muleque! Tu reclama muito!"

Última quinta-feira, dentro do 247, sentido Centro. Um calor danado, o ônibus lotado, as pessoas se esfregando e se roçando a cada freada do motorista - aquelas freadas que o "piloto" dá para arrumar a "casa", do tipo "do jeito que você cair, fica", no maior estilo daquele joguinho Pega-Vareta. Quem se esfrega em você quase nunca é aquele gostosa que passou no jeans apertadinho para o fundo do ônibus. Nós, os menos afortunados, ficamos com os "chassis de frango", as mulheres refugo ou as tiazinhas mais velhas. Pesadelo total.

Estava lá eu, todo suado, segurando-me com os dois braços, a cabeça apoiada em um deles. Amaldiçoava a vida, o mundo, o tempo, o vento - ou melhor, a falta do vento. Proferia impropérios mentais contra minha própria pessoa, estava quase me arrependendo do dia em que tive a infeliz idéia de nascer quando o ônibus pára no ponto e nele sobe um senhor cego. Veio sentar-se no banco que se encontrava a meu lado. Ajudei-o a sentar - porque numa situação dessas parecemos ter um "monte de mãos"? Fica difícil até de ajudar.

Qual não foi minha surpresa quando no ponto seguinte pega o coletivo um deficiente físico. Sobe as escadas do ônibus com dificuldade, apoiado em sua bengala e senta-se no banco diametralmente oposto ao deficiente visual... Fiquei no meio de ambos... Entendi a mensagem. Passei o resto da viagem contrito, rezando baixinho, clamando por absolvição divina.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Numa noite dessas...

O tempo passa no relógio digital. Rolo para um lado, para o outro. Procuro uma posição confortável, procuro alguém que chamo e não vem. Em seu lugar, vejo ela, a mesma que de vez em quando deve importunar vocês também. Por uma razão a mim obscura, pareço ser um de seus amantes prediletos. De início, tento evitá-la. Coloco o travesseiro por cima da cabeça, quando ela, sestrosa, estica seus braços para me laçar. Logo desisto e me entrego ao inevitável.

O Corujão - uma opcão sempre válida em situações como essas - não está passando nenhum clássico. Perco a paciência, que já está curta, na segunda cena do filme de segunda. Nada mais apropriado. Desligo a TV e ligo o rádio numa dessas estações light FM. Porta aberta para a melancolia e o saudosismo: baladas românticas tipo consultório de dentista e o silêncio das três da madrugada.

Dentro em pouco, flagro-me em meio a pensamentos desconexos. A disputa de pênaltis na decisão do Inter-Turmas do colégio de 92 - porque não dei uma bicuda rasteira no canto? -, pessoas, coisas, momentos que passaram pela vida. Sinto saudades até daquilo e daqueles que não vi, não conheci, não senti.

Não sei como chego lá, mas é fato que começo a fazer elucubrações a cerca do amor. O que consigo resgatar desse emaranhado de idéias é que, a meu ver, a última trincheira resilente do amor é o sentimento que une pais e filhos. Por mais que meu lado amargo tente me convencer de que nem isso é amor, está mais para o desejo egoísta de imortalidade, de continuar ad infinitum a caminhada aqui na Terra, utilizando os descendentes como um meio desesperado para tal, fico com meu primeiro pensamento.

É aí que se levantam os românticos injuriados e brandam em altas vozes: " O amor entre homem e mulher não existe?". Acalmem-se frágeis e inquietos corações! Esse existe sim, mas não é propriamente A-M-O-R como aquele que primeiro destaquei. Trata-se de outra categoria, para qual tenho até uma definição. Amor, nesta acepção, é aquele meia canhotinho, habilidoso que acabou de subir dos juniores para o profissional. De início, um furor, badalado pela mídia. Antes dos 20, já passou por uma dúzia de clubes nacionais e estrangeiros. Então, é apenas Desejo. Com 25, está acabado para o futebol, arrastando-se no brioso Seres da segunda divisão carioca. Agora, enfim, é apenas e tão somente Indiferença.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

E o Pai de Prata 05 vai para...

Depois de muitas deliberações, cheguei a um nome mais do que merecedor do Pai de Prata de Quintino. Trata-se de um verdadeiro achado - pelo menos para mim. Os 8 minutos e 39 segundos mais eletrizantes de toda a história do cinema!

Uma Ferrari 275 GTB - um dos meus sonhos de consumo ao lado do Porsche Spyder 1955 -, um cara sem juízo algum na cabeça, a Cidade Luz de pano de fundo e 10 minutos de filme sobrando. Era Agosto de 76, o sol se levantava. Um indivíduo chamado Claude Lelouch reinventou o city tour, tudo sem autorização nenhuma de polícia ou de quem quer que seja.

Por este feito de grande relevo e pela trilha sonora de primeira (a "Orquestra de Maranello" nunca decepciona), o filme C'etait un Rendez-vous - fica sem tradução, pois de francês, sei o que me basta (qual seja a piada do "papagaio no pescoço do Professor") - e seu diretor, Sr. Lelouch, levam a primeira edição do Pai de Prata.

Abaixo o mapa do "circuito" (partindo de Porte Dauphine e chegando ao Alto de Montmartre, passando por Av. Foch, Place de l'Etoile, Champs Elysées, Concorde, Louvre, Opera, Pigalle, Montmartre).
O link para a assistir o filme é esse que segue (demora, mas vale muito a pena!).