Buraco do Pai Popin Reloaded

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Somos todos iguais

Relendo o post "Corpo gentil, pátria de meu desejo" - aliás, um título meio roubado do Bilac. Foi mal, Olavo. - tomei consciência de algo interessante que me fugiu completamente enquanto escrevia. Eu não fiz nada além do que rascunhar uma redação igual aquelas que nós fazíamos com a Tia Tetéia que, em vez de discorrer sobre "Minhas férias no campo/praia/serra" e todas as demais variantes possíveis e imagináveis sobre o mesmo tópico, versou sobre um tema um tanto insólito. Poderia este ser resumido em uma única frase que foi me apresentada como sendo uma cantada - ou coisa que o valha - por um adorável canalha, amigo meu: "Te lambo todinha!".

Lancei mão de uma verborragia incomensurável, um cem número de palavras jogados ao vento, desperdiçados, quando a única coisa que eu queria dizer era o mesmo que diz o pedreiro daquela obra da esquina no momento em que uma moça farta de carnes passa na frente do empoleirado de andaimes e tapumes: " Te machuco (sic), morena! ". Esta constatação me mortificou, senti, de imediato até, um gosto de reboco misturado com suor em minha boca. "Como pude chegar tão baixo?", martirizei-me em pensamento. Aonde foram se refugiar minha cortesia, minha distinção?

Entretanto, essa crise de consciência, essa urgência boba por etiqueta, não durou muito. Logo fui tomado pela ternura. Senti um apreço sem igual por aqueles poucos momentos em que eu, depois de traçar a mistura de arroz-feijão-farinha com dois ovos estalados por cima e, depois de arrematar tudo isso com aquele golinho sagrado da maldita, escrevi aquelas porcas e mal traçadas linhas. Tive a certeza de que nós, homens, somos todos iguais. É bem verdade que alguns são mais envernizados que outros. Enquanto uns são parade crua de tijojos, outros parede de pátina, mas em essência, todos iguais.

Só me resta agradecer aos valorosos preceptores que indicaram o caminho e começaram a desbravar a trilha da cafajestagem e da breguice na qual agora me aventuro. Salve, Waldick Soriano! Jesse Valadão! Odair José! Reginaldo Rossi! Falcão! Coronel Licurgo!

quarta-feira, janeiro 25, 2006

1 ano!

É isso aí, meus únicos dois leitores! Minha humilde palafita digital completa no dia de hoje 1 ano de muito desserviço à humanidade! Vamos todos beber a isso! Viva a boçalidade congênita e a cretinice adquirida!

terça-feira, janeiro 24, 2006

"Corpo gentil, pátria de meu desejo"

Lascívia. Cada movimento, cada piscar de olhos, tudo sordidamente planejado para provocar. À meia luz, observo-a de canto de olho, enquanto balança seu corpo, todo pecado, ao ritmo da canção. Tudo ao redor, por mais colorido, por mais divertido, por mais embriagado que seja, não consegue passar de mera moldura para a cena de desejo, desejo desavergonhado em toda sua essência primitiva.

Sinto-me febril, corre por meu corpo um fogo, a incontrolável vontade de possuí-la. A tentativa de outros, que ao pé de ouvido jogam suas cartas e tentam enredá-la em seus novelos juvenis, não faz arrefecer minha voraz cobiça carnal. A besta-fera, despertada em mim pelo rebolar sedutor daqueles quadris, cerra-me as vistas com o pano vermelho da luxúria e do prazer. Já não sou mais senhor de minha razão, meu discernimento. Só tem vazão em minha alma o impulso animalesco.

Sonho em puxá-la com vigor, pelo pulso, para junto de meu dorso. Preciso sentir aquela pele sedosa cor de brasas, preciso sentir aquele colo junto a meu coração. Quero sorver até a última gota o perfume que ela, de forma perversa, salpicou por de trás da orelha. Urge em mim o desejo de tomar todo o aquele corpo com as mãos, medir milimetricamente cada palmo daquilo que esta fadado a ser meu feudo. Necessito tomar posse de cada sinal, cada pinta, cada tattoo... Paradas estratégicas para a estrada da danação.


Não terei paz enquanto não agarrar ela pelos cabelos, invadir sua boca com minha língua, provar seu sabor. Não há chances de ser feliz em qualquer outro lugar que não entre seus rins...

domingo, janeiro 22, 2006

O Pai de Prata de Quintino

Inspirado no Murta de Ouro e no Tony de Ouro, tenho pensado muito seriamente em criar o Pai de Prata de Quintino. Essas considerações têm consumido grande parte do meu tempo. O que laurear? Quem laurear? Acho que filmes e livros estão fora de questão. Não há como concorrer com a reserva de mercado dos dois prêmios supracitados, meu incipiente Pai de Prata seria atropelado pelo rolo compressor do gabarito cultural destes tradicionais júris já constituídos... Bem, não sei ao certo o caminho a seguir. Aceito sugestões...