Buraco do Pai Popin Reloaded

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Aridez criativa

Últimos dias de primavera, às vesperas do verão. O calor estava insuportável, daqueles de derreter a sola do sapato. A camisa ensopada grudava em minhas costas, enquanto as gotas de suor escorriam pela testa e tocavam suavemente minhas bochechas rosadas, pois castigadas pelo sol.,. Quando mais se precisa de uma leve brisa, ela não vem. Manda em seu lugar o bafo quente que sobe dos motores de carros, motos e ônibus que, parados no sinal, atormentam com seus roncos ameçadores os pedestres que tentam atravessar as largas avenidas. Por um breve momento, um arrepio sobe tal qual uma locomotiva por minha espinha. O medo de participar de um bizarro boliche humano é real e imediato... Deixa, sem dúvidas, perturbações que demoram a se dissipar e afetam sobremaneira a capacidade criativa de uma pessoa que nem é tão criativa assim... O Centro da cidade é expugnável e atroz!

Somando a isso o estado de nervos em que me deixa o CD natalino da Simone, que parece me perseguir em qualquer lugar que vou neste fim de ano - Simone que, aliás, prestou recentemente mais um desserviço a música mundial, quiça universal, arruinando, ou melhor, profanando completamente a excelente The Blower's Daughter do Damien Rice -, prefiro deixar meus poucos leitores com uma republicação de um distante 31 de maio. Trata-se de um "desagravo-xingamento" a minha pessoa, se é que isso é possível...

Tratado sobre minha eloqüência (ou falta dela)

Hoje resolvi dar uma olhada em tudo que "postei" até agora nesses cinco meses em que tenho essa palafita virtual no mar bravio da internet. Há até algumas coisas que prestam, mas em sua grande maioria, meu espaço é composto por textos - mais uma vez faço uso da licença poética para conferir tal denominação àquilo que eu escrevo - que versam sobre o nada e fazem digressões sobre o coisa nenhuma.

Mas a qualidade e estética da minha produção literária - se é que existem tais coisas em meus textos - não é o que eu quero abordar aqui. O que me chamou atenção naquilo que eu escrevi, de forma até certo ponto perturbadora, é a minha eloqüência. Perturbadora porque em raras ocasiões demonstro tal capacidade ao vivo, fato que me coloca em uma situação complemente surreal, já descrita por Jorge Luis Borges em um de seus contos. Defronto-me com uma "possibilidade de mim" mesmo. Isto é, uma pessoa que não sou eu, mas que finjo que sou para ver com seria se fosse ou algo parecido com isso.

Procurei então algo que pudesse explicar esse outro eu que vive numa conexão 300 Kbps double-flash tão diferente do eu em tons pastéis que circula no mundo real. A única boa razão que achei para minha inexpressividade remonta ao meu passado de gago. Sim, fui gago até mais ou menos uns oito anos de idade. Um gago filho de uma founoaudióloga, ou seja, uma contradição em si. Por maiores que fossem os esforços de minha devotada progenitora, a gagueira só foi embora quando eu e ela, na garagem do meu antigo prédio escutamos aquela frase que aos poucos vem substituindo Cidade Maravilhosa como o hino oficial da nossa querida São Sebastião do Rio de Janeiro:

- Perdeu "Prayboy"!

Mas como quase ninguém passa impune por uma gagueira, comigo não poderia ser diferente e fiquei com seqüelas que me atormentam até os dias de hoje. Raramente me atrapalho quando falo, apesar de ter de me po...po...policiar bastante. O problema agora se encontra na escrita. Por incrível que possa parecer sou gago quando pego caneta, papel e tento escrever algo. Por diversas vezes repito a mesma palavra, quando não ocorre de eu travar quando vou escrever um "C" ou um "6". Chega até ser engraçado eu tentando doutrinar minha rebelde mão, fazendo uma força sobre-humana para fazer a mísera voltinha do "C".

A gagueira também se faz presente em outros campos da minha vida. Meu forehand, por exemplo, devido a alguma força sinistra da natureza também é gago. A mecânica do movimento fica esquisita, como que se fosse remixada.

Também pensando, na maior parte das vezes, gaguejo. Quando confrotado com uma pergunta cara-a-cara então, o gaguejar mental piora consideravelmente e, se ainda insisto em dar uma resposta a pobre alma que está a falar comigo, a coisa fede de vez. Ou falo de forma quase que ininteligível algo, muitas vezes, não relevante ao assunto, ou retorno aos meus "bons" dias de gago vocal. Por isso, em ambientes novos, cercado de pessoas com as quais não estou acostumado, procuro me manter calado rezando para não me passarem a palavra. Esse é o grande pesadelo de um seqüelado pela gagueira, quando todas os indivíduos de um grupo voltam sua atenção para ele.

Tal comportamento - meio lunático, concordo - pode fazer os outros pensarem que sou um sujeito convencido, metido. Ou pior, as pessoas podem pensar que eu não gosto delas. Na verdade, são poucos os viventes contra os quais tenho algum tipo de revolta, pois afinal de contas definitivamente não tenho vocação para Gandhi. Aliás, um desses seres maldiltos - desculpe incomodá-los com isso, mas vai me poupar anos de terapia - é minha professora de música do pré-primario. Aquela véia desgraçada me negou o reco-reco. O reco-reco, como todos sabem, é o "spalla" da Sinfônica de Berlim "do amanhã". Fui relegado a ignomínia do coquinho. Sou um gênio musical indômito inexplorado, mas isso é outra estória. O ponto aqui é que por debaixo da gagueira total e irrestrita, sou até um cara bacana...

sábado, dezembro 17, 2005

Da série "Se só me restasse $1,00, investiria em propaganda"

Diversificação de portfólio para diluir o risco.

Breve em um poste pertinho de você!

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Início promissor

Já havia ouvido falar do Updike. Mais recentemente esse nome me foi sugerido novamente pelo blog do estimado Sr. Werner, fato que reforçou minha curiosidade. Qual não foi minha surpresa, quando na última quinta-feira, em um passeio pelo Centro - Deus, como eu odeio aquilo lá! -, dentro de um livraria, dois livros me saltaram à vista: o "Sábado" do Ian McEwan e o "Coelho se cala e outras histórias" do próprio Updike.

Do McEwan, já havia lido o Amsterdam, que se revelou uma experiência um tanto quanto frustante. Um livro tão laureado e tão badalado pela crítica não pode, ao seu final, provocar o sentimento de "é só isso?" no leitor. Já havia comentado isso no blog de um casal de amigos, que hora se encontra expatriado em terras francesas, e repito aqui. "Troquei" de mal, desde então, com o Sr. Ian. Fiz birra, bico, bati pé e não pensei duas vezes em preterir "Sábado" em favor de Updike.

Revanchismos infantis à parte, o "Coelho..." vem se revelando uma escolha mais do que acertada. Mesmo estando ainda muito no início da leitura e, mesmo cônscio de que comecei a tetralogia pelo seu fim, um livro que em tão poucas páginas já falou de troca-troca de casais na sociedade americana dos anos 60 sob o véu exterior de uma moralidade latente, sugestionou uma possível relação lésbica e fez, em outra historieta, um rascunho de meu auto-retrato daqui há 40 anos, não tem a menor possibilidade de ser tedioso.

Aproveito, por fim, para dizer que seguirei o conselho dos companheiros, que fizeram um chamado a minha maturidade e a minha consciência. Num futuro próximo, darei uma nova chance ao McEwan...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Fim de noite

Acabei de ver um colega de um banco famoso profetizar com ares messiânicos a trajetória da Selic até março de 2006. Disse com uma convicção de deixar estupefato: "O Comitê vai cortar agora a taxa de juros em 0.75 e nos três primeiros meses do ano vindouro também". Êta pessoalzinho arrogante esses tais economistas!

Fora isso, "té" mais, FMI! Desculpe qualquer coisa. Olá, Sr. Alckimin!

Ps: Introdução a Soberba e Soberba I, II e III deveria deixar de constar tacitamente no programa do curso de Economia e passar a figurar no mesmo de forma explícita Chega de falsos pudores! De qualquer forma, fica a sugestão para as autoridades competentes...

terça-feira, dezembro 13, 2005

Da série: "Coisas que me causaram espécie em 2005"

Não faz muito tempo, escutei um pequeno trecho de um discurso do Lula em uma reportagem, acho que do JN. No palanque, inflamado como sempre - suspeito até que "estava no grau" - disse que seria paciente como JK, quando falava, suponho eu, de algo relacionado à Crise Política. De cara, essa frase não me desceu bem. Estaria o Companheiro falando do homem que passou para a história com o slogan "50 anos em 5", o qual se lê em letras garrafais em qualquer livro de história de ginásio - por letras garrafais entendam algo que se lê sem "doer". É crível que Juscelino, com tal decantado chavão, seja taxado de paciente? Pode ser tudo - e provavelmente o era -, mas paciente? Aí, como dizem hoje, "é forçar demais a amizade".

Em retrospectiva, é verdade, mas antes tarde do que nunca, dou minha contribuição à pátria amada. Estimado Luiz Inácio, da próxima vez que quiser vincular sua imagem à de JK, não perca de vista a correção histórica. Tão e simplesmente repita algumas palavras proferidas pelo antigo presidente e que definem de forma precisa sua trajetória até os dias atuais: "Não me cobrem coerência, não tenho compromisso com o erro". Desta forma, poupamos ouvidos delicados como os meus...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Compasso de espera

Estou pronto. Banho tomado, gomalina no cabelo. Passei minha melhor colônia - uma chinfrim, com cheiro de motel barato, que um dia foi de meu avô. Sapatos engraxados, nó windsor na gravata verde musgo, um colete cinza por cima para me proteger do frio que faz aqui fora... Estou na varanda, sentado em uma cadeira de balanço. Tenho uma garrafa de Johnnie, um maço de Luckies, Chet Baker no rádio. Tenho tempo e estou pronto.

Seja para trocar uma lâmpada, contar uma história, ou melhor, escutar uma história. Fazer cálculos, projeções, desenhar cenários... Dar ordens, receber ordens. Fazer coisas acontecerem, ajudar a terminar com outras que seguem capengas por pura e sagrada preguiça. Quem sabe até varrer uma rua no centro da cidade, envergando um unioforme abóbora que não deixa nada a desejar aos trajes Armanis, Versaces daqueles que desprezo profundamente e tento com todas as minhas forças imitar como um bufão desengonçado de circo.

O ressonar da ave do mau agouro ecoa em meus ouvidos, mas não me tira mais o sono. Já vi praticamente de tudo e, o que ainda não vi ao vivo, vejo nos livros ou nos documentários do Gnt. No entanto, o que importa é que estou pronto e tenho tempo... Calmo e sereno, aguardo.

Aguardo a chance de sair da cancha dos machucados e entrar em campo no momento agudo do jogo. Cobrar a falta ou o pênalti da vitória. Proporcionar também, porque não, o anti-clímax do partida. Jogar de center-field para os Red Soxs e pular o mais alto que puder para agarrar a bolinha que vai se escapando furtiva por cima da cerca. Escutar a multidão incrédula engolir a seco o grito de êxtase que principiava escorregar docemente pela garganta.

Estou pronto para sacudir o mundo de alguém, para fazer a diferença na história, desorganizar conceitos e pré-conceitos, descontruir paradigmas... Estou pronto e aguardo, mas antes tenho de arrumar meu quarto...

domingo, dezembro 11, 2005

Os questionamentos continuam...

Às vezes, algumas coisas significam exatamente aquilo que achamos... NADA! Ou melhor, significam um free lunch jogado pela janela...

Schultz definitivamente é um estado de espírito!

terça-feira, dezembro 06, 2005

Questões para reflexão

Por que tudo relativo a custos de uma ligação telefônica têm como parâmetro o "custo de uma ligação de celular para Belo Horizonte"? Será que todo mundo - menos eu - tem uma Tia chamada Cotinha que mora em BH e, por isso, tem de ligar dia sim, dia também para Minas? Aliás, por que Minas? Será que a política Café-com-Leite não acabou com a Revolução de 30? Aquela amarração de "bodes" no Obelisco não passou de jogo de cena?

Por que os cientistas italianos não estudam nada além de Amor, Paixão e Pizza (não necessariamente nesta mesma ordem)? Eles ganham prêmios Nobel por descobrir a proteína da paixão. Dá para acreditar nisso? Enquanto gente no mundo morre de câncer e outras chagas, nossos queridos "carcamanos" vaticinam, como que em um verdadeiro show de horrores, que a paixão dura no máximo um ano. E daí? Quem se importa? "Paixão" em versão pet 2 litros ou em forma de goma de mascar? Nada mais me abala.

Por que a Garoto lançou uma pastilha com sabor Cereja? Sou ortodoxo quando o assunto é pastilhas Garoto. Pastilha Garoto é sabor de Hortelã e ponto final! Não tem essa de Cereja. Proponho um boicote à Garoto até que ela recolha essa afronta à família brasileira do mercado!

Não me deixem só!

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Horóscopo 02/12/05

Capricórnio (22/12 a 21/01)

Saturno, em conjunção astral com Júpiter, entra na Casa da Mãe Joana. Com dose tripla de Tequila grátis até às três da manhã e entrada franca de mulheres no estabelecimento, os dois astros, marotos que são, conspiram desavergonhadamente para transformar sua vida numa zorra que dá dó. A Lua Nova em Sagitário acentua as tensões no quarto minguante contribuindo decisivamente para aporrinhações em geral. Se puder, fique na cama hoje. Se for impossível, cuidado com poças de água, ônibus, tchibum, shiplash! Fique de olho também nos carrinhos de compra alheios que caçaram de forma impiedosa seus calcanhares... No mais, céu de brigadeiro para você, amigo caprica!

Ah, quando voltar-se para o céu para esbravejar, lembre-se do velho adágio chinês: Nada é tão ruim que não possa piorar. Olha seu carro agora que não quer pegar...