Buraco do Pai Popin Reloaded

segunda-feira, outubro 31, 2005

Quanto tempo, hein?

Era para eu escrever sobre o golaço que eu fiz ontem. Sempre é necessário celebrar tais ocasiões com uma descrição espirituosa, pois nunca sei quando tal momento sublime do prélio futebolístico se repetirá, ainda mais comigo no papel principal. Imaginei rabiscar algo épico, algo mais ou menos assim...

"Uma arrancada explosiva, Cavalgada das Valquírias de Wagner como fundo musical, parte o portentoso atacante - o medíocre escritor que vos fala agora - impetusamente rumo a meta adversária. Com ferocidade no olhar, deixo pra trás um, dois oponentes... Resta-me apenas um vilão desalmado pela frente, quando já estou na altura da intermediária inimiga. Acompanhando minha febril carreira um único companheiro que se posta no flanco oposto ao que está a bola. Consciente ou instintivamente, oferece a mim, o 'portentoso atacante' - não percebi da primeira vez quão esquisito soa isso aos ouvidos, mas agora que já usei, vai ficar assim mesmo -, a peça que falatava para envolver o defensor adversário em uma trama psicológica perversa. Certamente, em uma fração de segundos, o nobre adversário foi defrontado com a seguinte questão: o que fazer? Cobrir o passe ou impedir meu avanço rumo as gloriosas redes que me aguardavam docemente como c colo da ninfa virgem de meus sonhos? A farsa do passe tramada por minha mente traiçoeira em conúbio com a hesitação do adversário, denunciada pelo desconserto de suas pernas e a posterior rebolada que o fez desistir de todo da jogada, proporcionou-me um instante com a verdade. Proporcionou-me um momento em que tudo faz sentido, onde os mistérios da vida não passam de enigmas, brincadeiras de criança. Proporciomou-me, à entrada da área, o encontro com o arqueiro, um duelo a la faroeste, onde o primeiro a sacar escreve com sangue seu nome na história. Sorte que a parte exterior do meu pé direito não me abandonou neste momento de clímax. Bafejado pela sorte, inspirado pela elegância d'el príncipe Francescoli, consegui tirar a bola do goleiro com um leve toque de classe, que em muito difere das roscas que estou acostumado a disparar. E logo estava a gorduchinha rolando graciosa para o canto direito do gol adversário... Enrolou-se faceira no novelo das redes inimigas. É gol! G-O-L-A-Ç-O! Êxtase! Glória! Conjunção etérea! Bundalelê!".

Até que ficou bom. Pedante, é claro, mas justo e sob medida. Outras coisas assombram minha mente agora... Foi o máximo que conseguir fazer para não deixar em branco esse evento bissexto em minha vida, que é meter um gol. Minhas atuações são normalamente pontuadas por muitas pixotadas, alguns cortes de cabeça e raros bons passes...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Meus Quereres

Queria ter um melhor entrosamento com as palavras. Queria saber com melhor arrumá-las, como encadear preposições, conjunções, locuções, substantivos, adjetivos... Queria, sobretudo, saber construir versos, quem sabe estrofes inteiras. Um sonetinho 4-4-3-3 já estaria de bom tamanho. Queria idéias criativas, originais e não clichês batidos e lugares comuns que insitem em povoar meus pensamentos. Infelizmente, inspirações deste tipo só ocorrem aos grandes, aos que conseguem, por meio dos dedos que tocam as teclas do teclado, tocar a face de Deus.

Queria, acima de tudo, não soar piegas, embora reconheço que seja díficil cumprir tal tarefa quando falamos das coisas do coração - viram, uma expressão piegas acabou de escapulir. "Coisas do coração", onde já se viu... Queria, também, não parecer demasiado malancólico, como Álvares de Azevedo. Sua tez alva não me remete a morbidade, antes me preenche com o sopro de vida que emana de seu fascinate colo. Queria afastar, desde agora, a impressão de que tenho uma obsessão doentia por ela. Não a coloco em um pedestal de adoração religioso. Apesar de não conhecê-los, sei que tem defeitos, que é feita de pele, ossos e sentimentos, como eu. Ah, mas faria o possível e o impossível para conhecer esse eu dela cheio de imperfeições, que deve ser tão ou mais apaixonante que o eu de uma austeridade doce que desvelou-se diante de mim em nosso contado superficial.

Mesmo consciente de minha condição de gentio, queria ter a fibra de grandes personagens históricos, que com paixão em seus corações, lançavam-se contra todas e quaisquer convenções e tradições caducas, fazendo a roda do mundo girar, o futuro bater em nossas portas. Correndo o risco de, aos olhos dela, parecer um inconveniente e petulante, queria que essas mal traçadas linhas alcançassem seus olhos, tocassem de alguma forma seu coração. Queria que essas palavras ressossem por este vasto mundo virtual e encontrassem acolhida nos únicos olhos azuis que tem o poder de deixar minha respiração em suspenso. Queria...

quinta-feira, outubro 13, 2005

À espera da PF

Passo os dias assustados. É constante o sentimento de que algo está para acontencer. Sinto que sombras me seguem em meu caminho e olhos sombrios velam meu sono, ou o que se pode chamar de sono. A insônia é única que me oferece a mão, o ombro, escuta meus problemas e pertubações... Confesso que a angústia por uma resposta, uma palavra de conforto, um conselho bem intencionado e despretensioso, o vazio do escuro, alimentam ainda mais minha insanidade. Só o ruído do relógio a badalar as horas me dá alguma indicação... Indicação de que a vida se esvai, a felicidade é apenas um pórtico inatingível.

Os raios de sol que penetram pelas frestas da persiana e as gotas de suor que escorrem a testa são testemunhas única de minha sofreguidão. São dias e dias triturando papéis, documentos. Horas à fio a queimar duplicatas, tudo, absolutamento tudo que me possa ligar , por um instante que seja, a negócios escusos... Sim, os pratiquei, não os nego. Que se levante o primeiro moralista para me apedrejar! Mas antes, faça um pequno exame de consciência. Verás, com certeza, que em algum momento em tua vida se utilizou de meios nada cristãos para levar vantagem em alguma coisa. Seja no par ou ímpar da pelada de domingo, seja na fraude do INSS, o que impera em nosso país é a Lei de Gerson. Dois simples artigos de fácil compreensão. Artigo primeiro: É direito de todo brasileiro, em dia com suas obrigações para com a pátria, utilizar-se de todos os meios disponíveis para passar para trás alguns "otário aí". Artigo segundo: Revogam-se todas as disposições legais em contrário.

A única coisa que peço a Deus, quando desfrouxo minha gravata deitado no quarto abafado, é que ele tenha misericórdia de minha alma. Faça, ao menos, que me peguem primeiro... Que seja a mim e, não a outro rato assustado, que se ofereça a delação premiada, uma espécie de induto de natal para homens "honrados" que sujam seus alvos colarinhos em negociatas país afora... Amém.

sábado, outubro 08, 2005

Era só avisar...

Imagens do dia:

O presidente americano, George W. Bush, declarou à impresa que recebeu ordens de Deus para invadir o Iraque e Afeganistão

Poxa, companheiro Bush... Se tivesse avisado antes que a ordem era do Cara, eu caía "regaçando" em cima daqueles fucking terrorists... ESCRAAAACHA!!!!!!

Desarmamento? Como já diria o Planet, com o lirismo que lhe é característico: " Aminha segurança eu faço é na cintura..."