Buraco do Pai Popin Reloaded

quinta-feira, setembro 22, 2005

Paradoxo, Maneco, Leblon...

Nas leituras dessa última semana, descobri que oxímoro é sinônimo de paradoxo. Pronto, já tirei aquela onda de intelectual, afaguei meu próprio ego... Estava pensando em começar com um "relendo os clássicos", mas achei muito despropositado, poderia soar muito pedante, preferi a via da humildade, os braços do povo que são o meu lugar.

Mas o que tem haver paradoxos, oxímoros com esse mini-horário político de minha pessoa a la ACM neto na CPI dos correios? Aliás, já que falei no dito cujo, não me furto a oportunidade de sugerí-lo como signiicado para a palavara pernóstico nas próximas edições do Aurélio ou do Houaiss. Acho que ficaria bom, auto-explicativo.... Pernóstico... Adjetivo e substantivo masculino utilizado para denotar alguém pretensioso, afetado, ou seja, ACMinho em essência. Se bem que valeria umas aparições da mesma persona nos verbetes pernicioso e peroba, mas são apenas sugestões...

Após essa rápida passagem pelo planalto central brasileiro, retorno ao assunto do post. O que paradoxo tem haver com as calças? Bem, estava eu distraído passando pela sala de minha residência quando escuto, por alto, o ínicio de um diálogo entre duas mulheres bem apessoadas nesta novela que está passando por agora no Vale a Pena Ver de Novo, acho que Laços de Família. Confesso que a conversa, em um primeiro instante, chamou-me a atenção muito menos pelo conteúdo do que pela, digamos, fartura de carne de ambas as atrizes. No entanto, antes que comecem a serem queimados sutiãs e se ouça as primeiras palavras de ordem contra esse pobre porco retrógrado machista, tenho de dizer-lhes, minhas companheiras de trabalho, que meus instintos mais primitivos despertados pelo farto fornimento das moçoilas logo sucumbiram a profundidade da conversada travada pelas duas - Bob, oh Bob! Saudades, irmão!

Falavam, ou melhor, reclamavam da vida - aquilo que todos nós fazemos -, até que uma vira para outra e diz que estava cansada de tudo. "Não aguento mais", disse ela. "Estou cansada de fazer tudo certinho, tudo como os outros mandam, dar um duro danado e só levar ferro!" Bom, a primeira vista esta tudo certo em relação ao conteúdo desse desabafo. Entretanto, se nos detivermos com mais atenção sobre as falas, encontraremos um oxímoro em estado bruto, daqueles exemplares mesmo. As personagens no tête-a-tête em questão eram duas garotas de programas... Portanto, se não quisesse "só levar ferro", que mudasse de profissão. Já estava bem grandinha para saber no que consiste o trabalho milenar de satisfazer os desejos sexuais de outrem em troca de vil metal.

É sempre excitante quando descobrimos uma nova faceta em um grande gênio como Manoel Carlos... Agora, Maneco, o piadista! Fina ironia, mestre! Chamo-o de mestre, Manoel, sem nenhuma zombaria. Sou um fã e entusiasta de suas novelas, as melhores em minha opinião. Por sua causa, quando imigro temporariamente no Leblon - sim, o Leblon é outro país que calhou de estar cravado no estado do Rio de Janeiro. Trata-se da Montecarlo tupiniquim. Independência já! -, começa a tocar em minha cabeça aquela musiquinha... isso, essa mesma... acho que é mais ou menos assim: pá pá pá... Pá pá pá... Pá pá pá pá. Pá pá... De antemão, peço perdão pela terrível onomatopéia, mas acho que ela cumpre o papel a que se propõe. Se você ainda não ligou os pontos, faço um útimo esforço. Salvo engano, a música era cantada pelo Caetano Veloso e sempre entrava quando tinha um corte na trama e entrava as belas imagens do Leblon. Mais uma vez, obrigado Maneco por tornar minhas viagens ao Leblon tão mais vivas com som Dolby Surround.

sábado, setembro 17, 2005

Please, let me go!

Não há nem como tentar. Simplesmente não dá. Ser ridídulo é parte íntima de meu ser, ainda mais quando o assunto é o amor. Minha ridicularidade em torno de tão ditoso assunto se potencializa de tal maneira que só me falta aceitar os fatos... Procurar meu nariz vermelho, minha cartola e a florzinha que esguicha água nos mais incautos... Vamos ao picadeiro... É o que me resta...

Faz tempo aprisiono isso dentro de mim. Talvez porque seja egoísta, e isso sou mesmo, na maior parte do tempo. Mas, antes, acho que guardo isso só para mim em minha caixa preta particular, pois sou o palhaço corvade do show... Aquele assecla desajeitado do palhaço mais esperto, que invariavelmente leva a culpa pelas armações, nunca fica com a mocinha e de vez em sempre toma uns tabefes bem dados. Sua única culpa? Desconhecer o que os mais entendidos chamam timing. Está sempre no lugar errado, na hora errada.

Acho que foi isso que eu perdi, há muito tempo atrás. Salvo minha notória esquizofrênia, mantida em níveis de convívio social por meio de Gadernal e outros remédios muito úteis para se escapar do serviço militar obrigatório, acho que tive algumas oportumiades para desembarcar minhas tropas em território tão caro a mim até hoje: seu coração. Entretanto, oportunidades só me são de alguma utilidade se posso desperdiçá-las... Difícil entender esse mórbido prazer orgásmico que aflui por meu corpo a cada chance jogada ao vento, mas, como dizem, cada um com suas taras e suas manias.

Hoje, sou tomado, quase que constantemente, pela vontade de botar para fora o que sinto por ela... Pego-me pensando se gostaria de saber sobre minha paixão... Gostaria de saber que a lembrança de seu rosto, mesmo que um pouco desgastada pelo tempo, acalenta minha alma, conforta-me, preenche meu ser de coragem para enfrentar os maus bocados que reservou para mim este maldito ano de 2005.

O desejo de revelar tudo que sinto por ela é sincero e totalmente desprovido de interesse. Não nutro a menor esperança de ser correspondido, de que essa revelação provoque uma profunda revolução em minha vidinha bem mais ou menos. Sei de todas as complicações que envolve uma relação com ela e, foram estas que me mantiveram distante. Afinal de conta, somos de tradições diferentes e, como se já não bastasse isso, somos de grupos sociais bem diversos. Vivemos em mundos diferentes, que se tocaram por uma dessas grandes ironias do destino, o verdadeiro grande palhaço do universo... A sublimação do que sinto foi, é e será sempre a atitude mais sensata. Mas apenas contar para ela sobre minha paixão, seria como me libertar de um prisão, seguir em frente... Cessaria a dor que sinto toda vez cruzar o túnel e adentrar seu mundo...

sábado, setembro 10, 2005

TO BE CONTINUED??????????????????????

Vamos! Abondonem suas casas, seus sonhos! Já não há pelo que lutar, a derrotar é iminente. O que um dia foi um delírio de cores e essências, agora não passa de um inverno doloroso e escuro. As árvores secas com seus galhos quebradiços parecem praguejar contra nossos destinos. O solo queimado pela neve eterna não nos deixa sequer uma esperança em forma de um mirrado capim. Se deixam para trás seus pertences mais caros, levem consigo ao menos suas vidas, o vil metal.

Já se ouve ao longe os cântigos ritmados e hipnóticos da massa ignara de toscos trajes fosforescentes. Trazem consigo toda sorte de chagas. Hepatites, Mononucleose, Cândidas... São movidos pela perdição dos homens desde todo tempo...
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Os últimos tempos têm sido extremamente proveitosos para minha pessoa em termos gastrômicos. Nunca me aventurei tanto nos prazeres da arte de comer. É certo que grande parte desta jornada foi meio que forçada, já que passei a última semana entrevado em uma cama de um quarto de hospital. No entanto, como dizem os sábios, há males que vêem para o bem e pude desfrutar tranquilamente de um explosão -orque não dizer psicodélica - de sabores e sensações.

Frango com molho mostarda, suflês dos mais diversos tipos, peito de peru ao molho de laranja, folheado de linguado, sopas das mais variadas, em suma, tudo que minha cabeça pragmática e antiquada...
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Aí acima encontram-se dois ínicios de textos que não sei por qual razão não consegui desenvolver. Também não me ocorre agora o motivo de tê-los iniciado... De qualquer forma aí estão eles, praticamente como saíram dessa grande lixeira que é minha cabeça. Nus, crus, sem nenhuma maquiagem. Provas definitivas de que a aridez do Nordeste, em minha alma, agora faz sua morada. Nem dois São Frasciscos conseguiriam dar vida aos meus enrugados e murchos sentimentos...

Já findo Agosto, definitivamente um mês sombrio... Nunca tive predileção por esse mês e, não é dessa vez que ele cairá em minhas graças... Valeria um post esse de 2005, mas não consego reunir forças para escrevê-lo... Seria mais ou menos um parto e não gostaria de experimentar, mesmo que metaforicamente, a sensação de colocar para fora uma bola de boliche por uma caçapa de sinuca... Estou cansado, esgotado. De tão extenuado não consigo nem dormir... As sombras na parede e meus pensamentos me fazem companhia pelas noites agonizantemente eufóricas...

Regozijem-se sobre meus pedaços... Dancem, bebam... Fumem um Cohiba, talvez...