"Corpo gentil, pátria de meu desejo"
Lascívia. Cada movimento, cada piscar de olhos, tudo sordidamente planejado para provocar. À meia luz, observo-a de canto de olho, enquanto balança seu corpo, todo pecado, ao ritmo da canção. Tudo ao redor, por mais colorido, por mais divertido, por mais embriagado que seja, não consegue passar de mera moldura para a cena de desejo, desejo desavergonhado em toda sua essência primitiva.
Sinto-me febril, corre por meu corpo um fogo, a incontrolável vontade de possuí-la. A tentativa de outros, que ao pé de ouvido jogam suas cartas e tentam enredá-la em seus novelos juvenis, não faz arrefecer minha voraz cobiça carnal. A besta-fera, despertada em mim pelo rebolar sedutor daqueles quadris, cerra-me as vistas com o pano vermelho da luxúria e do prazer. Já não sou mais senhor de minha razão, meu discernimento. Só tem vazão em minha alma o impulso animalesco.
Sonho em puxá-la com vigor, pelo pulso, para junto de meu dorso. Preciso sentir aquela pele sedosa cor de brasas, preciso sentir aquele colo junto a meu coração. Quero sorver até a última gota o perfume que ela, de forma perversa, salpicou por de trás da orelha. Urge em mim o desejo de tomar todo o aquele corpo com as mãos, medir milimetricamente cada palmo daquilo que esta fadado a ser meu feudo. Necessito tomar posse de cada sinal, cada pinta, cada tattoo... Paradas estratégicas para a estrada da danação.
Não terei paz enquanto não agarrar ela pelos cabelos, invadir sua boca com minha língua, provar seu sabor. Não há chances de ser feliz em qualquer outro lugar que não entre seus rins...

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