Aquele alguém que já não sou eu
Onde está aquele menino? Impetuoso, já aos três anos de idade, desvelava diante de seus pares de fralda e mamadeira a sórdida verdade por de trás daquele velhinho que vestia vermelho e fedia a Jack Daniels. Investiu sem titubear sobre a barba postiça do sujeito e, em triunfo, empunhado um tufo de cabelos brancos, jogou por terra a trama desavergonhada e mentirosa com a qual os pais tentam enredar seus filhos. Em que pese a falta de dentes na boca, já era uma reserva moral com tão poucas primaveras vividas.
Em que momento me perdi deste menino? Este garoto que estava talhado para coisas grandes, que nasceu para ser um líder. Duro, com certeza, mas que trazia também em seu olhar uma ternura própria dos grandes. Um moleque que com seus atos cativaria mentes e corações. Com suas sábias palavras e seu tom de voz macio e confiante, se faria escutar por todos, fossem eles presidentes ou operários. Quem sabe, talvez fizesse a paz entre árabes e israelenses ou descobrisse a cura para o câncer, ou ainda uma forma de fazer a barba que não irritasse a pele sensível.
Como fui me tornar esse poltrão sem fibra que se esconde de tudo debaixo do seu edredom? Como posso preferir a pasmaceira de meu quarto a uma vida vibrante, com muitas frustrações, é verdade, mas também com muitas cores, alegrias e sons? Por que não consigo olhar os outros nos olhos? Dizer o que quero dizer? Por que não consigo encarar a vida de uma forma mais leve? É impossível que tudo tenha a gravidade que acho que tem, não é?
Bem, não sei... Mas tenho certeza que aquele garoto saberia.

1 Comments:
Então me chama q eu corro atrás do prejuízo junto ctgo.
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Anônimo, at 2:28 PM
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