Buraco do Pai Popin Reloaded

domingo, novembro 06, 2005

Ainda morro disso...

Um sentimento esquisito. Num instante, tudo está bem. Você está calmo, tranqüilo e, de repente, parece que o mundo a sua volta apertou o fast foward. Tudo toma uma velocidade absurda que sua comprensão não consegue de imediato alcançar. No momento em que se está tentando decifrar um vulto amarelo que acabou de passar diante dos olhos, se é supreendido por um azul que passa em direção oposta... O cérebro sobrecarregado parece falhar, tem lapsos tal como um motor afogado... O que antes era cristalino, agora é obscuro...

Corremos à caixa de remédios. Pressionamos a bombinha contra a boca. Damos três jatos do broncodilatador usual e... Nada, não acontece absolutamente nada. A sensação de que há alguém apertando-lhe a garganta, tirando-lhe todo ar, não passa.

Junto a isso, não sei se causa ou consequência, vem um desejo quase irresistível de sair do próprio corpo, um desasossego avassalador. Estando de pé, se quer sentar. Estando sentado, se quer levantar. Sensação igual só é vista quando se aplica Digesan diretamente na veia de um pobre vivente.

Tudo continua a girar como em uma ciranda doidivanas. Gira também, em altas rotações, o coração... Sente-se o fluxo sanguíneo passando tal qual uma tormenta por veias, artérias, capilares... A marcar o compasso, a respiração em acordes crescentes de um finale dramático para uma melodia dissonante.

À beira da loucura, lança-se mão de tudo para recobrar o controle sobre si, seu corpo, seus pensamentos. Ioga? Mesmo não tendo passado da posição "galho-arrancado-pelo-vento-e-jogado-ao-chão" (seção um, ponto três das lições iogues do Mestre Veríssimo), começa-se a escutar, vindo de dentro de si, um ínicio tímido de "Ahummmmm"...

Antes que disquem 192, antes que lhe apresentem um bela camisa branca com mangas bem compridas - pitorescos seres de jaleco dizem ser a última moda em Milão -, reúne-se forças não se sabe de onde e parte-se em desabalada carreira para junto de uma velha vitrola. Primeiro Dancing cheek to cheek, depois Luck be a Lady e assim por diante... I won´t dance, The Lady is a Tramp, aos poucos tudo vai se aquietando, a paz volta a reinar dentro do peito. O encontro com Deus se dá quando o primeiro gole de Coca-Cola toca o céu da boca. A sensação de cócegas irresítivel quando as bolinhas de gás começam a estourar, tudo isso ao som de Everybody Loves Somebody Sometime... Sinatra e Coca-Cola podem fazer mágica por você!

1 Comments:

  • ESSE TEXTO VAI SER REBATIZADO DE "DOMINGO À NOITE"!

    By Anonymous Anônimo, at 10:48 PM  

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