Quanto tempo, hein?
Era para eu escrever sobre o golaço que eu fiz ontem. Sempre é necessário celebrar tais ocasiões com uma descrição espirituosa, pois nunca sei quando tal momento sublime do prélio futebolístico se repetirá, ainda mais comigo no papel principal. Imaginei rabiscar algo épico, algo mais ou menos assim...
"Uma arrancada explosiva, Cavalgada das Valquírias de Wagner como fundo musical, parte o portentoso atacante - o medíocre escritor que vos fala agora - impetusamente rumo a meta adversária. Com ferocidade no olhar, deixo pra trás um, dois oponentes... Resta-me apenas um vilão desalmado pela frente, quando já estou na altura da intermediária inimiga. Acompanhando minha febril carreira um único companheiro que se posta no flanco oposto ao que está a bola. Consciente ou instintivamente, oferece a mim, o 'portentoso atacante' - não percebi da primeira vez quão esquisito soa isso aos ouvidos, mas agora que já usei, vai ficar assim mesmo -, a peça que falatava para envolver o defensor adversário em uma trama psicológica perversa. Certamente, em uma fração de segundos, o nobre adversário foi defrontado com a seguinte questão: o que fazer? Cobrir o passe ou impedir meu avanço rumo as gloriosas redes que me aguardavam docemente como c colo da ninfa virgem de meus sonhos? A farsa do passe tramada por minha mente traiçoeira em conúbio com a hesitação do adversário, denunciada pelo desconserto de suas pernas e a posterior rebolada que o fez desistir de todo da jogada, proporcionou-me um instante com a verdade. Proporcionou-me um momento em que tudo faz sentido, onde os mistérios da vida não passam de enigmas, brincadeiras de criança. Proporciomou-me, à entrada da área, o encontro com o arqueiro, um duelo a la faroeste, onde o primeiro a sacar escreve com sangue seu nome na história. Sorte que a parte exterior do meu pé direito não me abandonou neste momento de clímax. Bafejado pela sorte, inspirado pela elegância d'el príncipe Francescoli, consegui tirar a bola do goleiro com um leve toque de classe, que em muito difere das roscas que estou acostumado a disparar. E logo estava a gorduchinha rolando graciosa para o canto direito do gol adversário... Enrolou-se faceira no novelo das redes inimigas. É gol! G-O-L-A-Ç-O! Êxtase! Glória! Conjunção etérea! Bundalelê!".
Até que ficou bom. Pedante, é claro, mas justo e sob medida. Outras coisas assombram minha mente agora... Foi o máximo que conseguir fazer para não deixar em branco esse evento bissexto em minha vida, que é meter um gol. Minhas atuações são normalamente pontuadas por muitas pixotadas, alguns cortes de cabeça e raros bons passes...
"Uma arrancada explosiva, Cavalgada das Valquírias de Wagner como fundo musical, parte o portentoso atacante - o medíocre escritor que vos fala agora - impetusamente rumo a meta adversária. Com ferocidade no olhar, deixo pra trás um, dois oponentes... Resta-me apenas um vilão desalmado pela frente, quando já estou na altura da intermediária inimiga. Acompanhando minha febril carreira um único companheiro que se posta no flanco oposto ao que está a bola. Consciente ou instintivamente, oferece a mim, o 'portentoso atacante' - não percebi da primeira vez quão esquisito soa isso aos ouvidos, mas agora que já usei, vai ficar assim mesmo -, a peça que falatava para envolver o defensor adversário em uma trama psicológica perversa. Certamente, em uma fração de segundos, o nobre adversário foi defrontado com a seguinte questão: o que fazer? Cobrir o passe ou impedir meu avanço rumo as gloriosas redes que me aguardavam docemente como c colo da ninfa virgem de meus sonhos? A farsa do passe tramada por minha mente traiçoeira em conúbio com a hesitação do adversário, denunciada pelo desconserto de suas pernas e a posterior rebolada que o fez desistir de todo da jogada, proporcionou-me um instante com a verdade. Proporcionou-me um momento em que tudo faz sentido, onde os mistérios da vida não passam de enigmas, brincadeiras de criança. Proporciomou-me, à entrada da área, o encontro com o arqueiro, um duelo a la faroeste, onde o primeiro a sacar escreve com sangue seu nome na história. Sorte que a parte exterior do meu pé direito não me abandonou neste momento de clímax. Bafejado pela sorte, inspirado pela elegância d'el príncipe Francescoli, consegui tirar a bola do goleiro com um leve toque de classe, que em muito difere das roscas que estou acostumado a disparar. E logo estava a gorduchinha rolando graciosa para o canto direito do gol adversário... Enrolou-se faceira no novelo das redes inimigas. É gol! G-O-L-A-Ç-O! Êxtase! Glória! Conjunção etérea! Bundalelê!".
Até que ficou bom. Pedante, é claro, mas justo e sob medida. Outras coisas assombram minha mente agora... Foi o máximo que conseguir fazer para não deixar em branco esse evento bissexto em minha vida, que é meter um gol. Minhas atuações são normalamente pontuadas por muitas pixotadas, alguns cortes de cabeça e raros bons passes...

1 Comments:
É... Acho que vc tah certa. Sou eu mesmo, sobrinha! Não precisava nem se apresentar, sua boa fama a precede... Realmente é um prazer ter A comentadora visitando meu humilde casebre.
Como já deve ter percebido, falta-me o garbo e a elegância estilística de um Lucas ou de um Tija, mas o importante é que eu me esforço. Quem sabe, quando eu crescer, consiga ter um blog tão bom quanto o deles... Enquanto isso, só posso pedir desculpas por meu estilo xucro, ou melhor, ausência total de estilo.
No mais, sinta-se à vontade para comentar o que quiser e da forma que quiser... É legal saber que tem gente lendo as porcarias q eu rascunho aqui.
Abs
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Nilson Jr, at 1:15 PM
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